Panamá, Inglaterra, Estados-Unidos


Panama

Este post vai ser muito baseado na Wikipédia. Se acham que a Wikipédia é uma fonte pouco fidedigna de informações, cada link que aqui coloque a suportar o que vou dizer, entrem nele e editem a página. Indiquem os pontos que não têm fontes, logo, podem não ser verdadeiros ou fidedignos. Mas façam-no porque eu procuro sempre colocar links de páginas que tenham fontes. Se não tiverem, na própria página da Wikipédia diz logo no cabeçalho que a página não respeita as regras.

Flag_of_PanamaO Panamá existe enquanto “nação independente” desde 1903, depois de Roosevelt ter apoiado a guerra contra a Colômbia, na Guerra dos Mil-Dias. É preciso ir mais atrás, até ao ponto em que os colombianos lutaram contra os espanhóis pela independência, em 1821, para perceber um pouco melhor a história que muitas vezes nos querem dar como certa. Talvez mais atrás ainda, a Simón Bolívar.

De republicano a monarca ditador

Bolivar_Arturo_MichelenaNasceu em 24 de julho de 1783. Filho de uma família crioula da Venezuela, proprietários de plantações, minas, casas em Caracas e numerosos escravos. Foi à elite colonial que ele denunciou os abusos do domínio colonial espanhol, apesar de ter sido em Madrid e na Europa que estudou e se aprofundou em temas como o Iluminismo. Foi também na Europa que firmou ligações com Inglaterra. A Constituição Britânica era o seu ponto de referência. (fonte).

Aos dois anos ficou sem pai. Aos nove sem mãe. O seu tutor foi Miguel José Sanz, mas a relação não resultou e Bolívar voltou para sua casa. Aí, recebeu ensinamentos de inúmeros professores de renome, sendo o mais importante Don Simón Rodríguez. Aos catorze anos, o seu instrutor e mentor, Simón Rodríguez, fugiu da Venezuela acusado de conspirar contra a Coroa espanhola. Refugiou-se em Kingston, na Jamaica, e mudou de nome para Samuel Robinson. Após alguns anos nos Estados-Unidos, viajou para França, em 1801. Aí reencontrou-se com o seu protegido, Símon Bolívar, em 1804. Juntos viram Napoleão ser coroado em Milão, em 1805. Reza a história, foi aí que Bolívar jurou que iria libertar a Venezuela do domínio espanhol. Rodríguez esteve em vários países europeus entre 1806 e 1823: Itália, Alemanha, Prússia, Polónia e Rússia. Só voltou à Venezuela depois da sua independência sobre Espanha.

rodriguezHe would later say of this time: “I stayed in Europe for more than twenty years; I worked in an Industrial Chemistry Laboratory […] attended some secret socialist-oriented meetings […] studied a little literature; learned languages and directed a Reading and Writing School in a small Russian town”

Wikipédia

Aproveitando a Guerra Peninsular, em 1808 Símon Bolívar começou a luta pela independência venezuelana. Apelou aos crioulos jovens saudáveis e em três anos tinha um congresso nacional estabelecido. Dois anos antes, Francisco Miranda havia invadido a Venezuela com a ajuda britânica. Aquilo que se estava a passar nesta zona do continente americano era o espelho dos conflitos na Europa entre franceses e ingleses. Um conflito entre a Maçonaria Inglesa e a Maçonaria Francesa, do qual saiu vencedora a Maçonaria Inglesa. Quando Miranda realizou uma primeira invasão na Venezuela com a ajuda dos ingleses, entre os voluntários estava um muito especial, David Burnet, que viria mais tarde a ser presidente interino da República do Texas depois da sua separação com o México. Por aqui podemos verificar os interesses por trás das revoluções independentistas. Não era uma questão de independência, era uma questão de mudar o poder de mãos. Estava nas mãos dos espanhóis e tinha de passar a ser livre, mas nas mãos dos ingleses e norte-americanos. Quem pensava que os Estados-Unidos só tinham tido influência na América do Sul no século XX desengane-se, porque foi muito antes. Aqui ainda não havia Panamá como o conhecemos.

Em 1810 a Venezuela iniciou o seu processo de independência e surgiu a Junta Suprema de Caracas. A primeira de muitas. Bolívar e mais outros responsáveis venezuelanos foram até Inglaterra para solicitar o reconhecimento da independência venezuelana e ajuda. Foi nesta deslocação que Bolívar pediu a Miranda que retornasse ao seu país. Em 1811 Miranda acedeu e voltou. Foi promovido a coronel de Puerto Cabello em 1812. Depois de algumas disputas perdidas para os espanhóis, Miranda assinou a capitulação para Juan Domingo de Monteverde, em San Mateo. O oficial Bolívar e outros oficiais revolucionários prenderam Miranda e entregaram-no a Monteverde. Esta ação permitiu a Bolívar viajar para Curaçao, autorizado por Monteverde. Em 1813 foi dado o comando de Tunja a Bolívar, sob a direção das Províncias Unidas de Nova Granada, que se havia formado das juntas criadas em 1810. Tunja fica na atual Colômbia. Bolívar já estava fora do seu território nativo.

Províncias unidas recorda muito estados unidos ou união das repúblicas… Quando mete a palavra união, democracia ou república devemos desconfiar. São ligações invisíveis à monarquia e oligarquia. Eles iludem-nos que não, que não são a mesma coisa, mas eu afirmo que sim e que os poderes de todos estes diferentes regimes vêm da mesma fonte, a única que se manteve intacta regime após regime, século após século: a Coroa Inglesa. O Sionismo também tem lugar reservado nesta história toda, mas por agora não é para aqui chamado.

Tunja foi o princípio da Admirável Campanha de Bolívar. Em 1813 capturou Ocanã, uma cidade que estava nas principais rotas viárias para a Venezuela. De Ocanã foi para a fronteira da cidade de Cúcuta, onde venceu a Batalha de Cúcuta. Pediu autorização e ajuda às Províncias Unidas através do Manifesto de Cartagena. Foi-lhe concedida ajuda e teve sucesso em várias frentes. Em Trujillo lançou o Decreto de Guerra até à Morte. Espanhóis e Canários iriam ter morte certa e caso não fossem culpados deveriam lutar pela independência, caso contrário morreriam também. Os americanos poderiam contar com a inocência, mesmo se fossem culpados. Belíssimas palavras de um novo líder. Nada como mostrar a sua força. Os tempos eram outros, mas as motivações são sempre as mesmas. As massas embarcam na cantiga e vai de defender uma bandeira, quando no fundo nenhuma das bandeiras pretende gerir bem nações, territórios e pessoas, apenas sugar recursos, escravizar seres humanos de forma declarada ou de forma subtil (com chicote ou com ordenados baixos). O Decreto manteve-se em vigor até 1820, ano em que foi assinado um tratado em Santa Ana de Trujillo, não sem que antes tivesse acontecido a Batalha de Los Horcones, que levou à rendição da Corte Espanhola, e a Batalha de Carabobo, em 1821. Em seguida Bolívar e as suas forças entraram triunfantes em Caracas, restabelecendo a república Venezuelana e criando a Grã-Colômbia. Aqui entra o atual território do Panamá, Colômbia, Venezuela, Equador, norte do Peru e norte do Brasil.

Bolívar foi Presidente e Francisco de Paula Santander foi o vice-Presidente. Em 1826, nas primeiras insurreições civis, entraram em choque. Santander queria que Antonio Páez e os seus apoiantes federalistas fossem castigados ou pelo menos submetidos à nova constituição. Quando Bolívar, que tinha voltado do Peru e reassumido as suas ordens executivas, concedeu uma amnistia a Páez, Santander achou que a autoridade central do governo e o estabelecimento da ordem estavam a ser minadas pelo próprio presidente constitucional de uma forma pessoal. Santander também entrou em desacordo com Bolívar quando o mesmo pretendia alterar a constituição de 1821, cujo prazo mínimo para ser revista era de dez anos. Bolívar insistiu e procurou reunir consensos e apoios para a ideia. Pretendia que a sua constituição que havia fundado a Bolívia fosse “copiada” para a Venezuela, de forma a permitir presidências longas e onde a sucessão podia ser determinada. Santander entendeu que isto tinha muita semelhança com monarquia. E penso eu que entendeu bem, ou não? É uma monarquia mascarada de República. Não há é sucessão de sangue nem as bases são as do rei sol, representante de deus na Terra. Após conflitos com Santander e os seus seguidores, Bolívar sofreu uma tentativa de homicídio. Santander foi dado como implicado; preso e julgado no mesmo dia; condenado à morte, Bolívar concedeu-lhe uma amnistia e condenou-o ao exílio. Em 1830 Bolívar morreu, a Grã-Colômbia foi desmembrada e em 1832 Santander voltou do exílio e serviu como Presidente de República de Nova Granada. Contudo, em 1830 Santander esteve em Bruxelas, onde despendeu tempo nos conhecimentos Iluministas. No decorrer do mandato, Santander concluiu a perseguição aos espanhóis que estavam presos, ordenando a sua execução. Presenciou as execuções! Morreu em 1840. Cerca de oito anos depois foi fundado o Partido Colombiano Liberal.

PartidoLiberalColombiano

Esta é a sua bandeira. Assim que a vi qual é que me veio logo à memória visual pelas cores? Esta:

flag

Este símbolo não é dos liberais, é dos independentes. Qualquer semelhança é pura coincidência ou fruto da minha fértil imaginação.

Panamá pós Bolívar

Em 1831, Juan Eligio Alzuru levou o Panamá à separação da Grã-Colômbia. Alzuru foi um déspota e terminou o seu governo fuzilado. O País voltou a unir-se à Confederação já em declínio. Em 1839, desencadeou-se na Colômbia uma guerra da qual os panamenses não queriam fazer parte. Criaram uma Junta, em 1840, na cidade do Panamá e separaram-se uma vez mais da Confederação. Desta Junta saiu o Estado do Istmo, com uma Constituição e que foi reconhecida pelos Estados-Unidos e pela Costa Rica. Em 1841 o coronel Herrera, líder do movimento emancipador, foi desterrado pelos colombianos com quem havia assinado um acordo. Para assegurar a estabilidade da anexação, os colombianos fizeram um acordo com os Estados-Unidos. Em 1846Manuel Mallarino, por Nova Granada, e Benjamin Bidblack pelos Estados-Unidos, assinaram o Tratado da Paz, Amizade, Navegação e Comércio.

José de Obaldía, como vice-Presidente da República de Nova Granada, foi por sete vezes presidente interino do Istmo do Panamá. Em 1850 entrou em cena José María Melo e o seu movimento das Sociedades Democráticas. O intenso trânsito pelo Panamá fez com que surgisse a via férrea panamense. José Hilário López foi eleito indiretamente pelas Sociedades Democráticas. Surgiram a reforma agrária, o limite da taxa de juros e a lei da liberdade dos escravos. Os conservadores, liderados por Julio Arboleda,  pegaram em armas para se oporem às reformas. Em resposta, López expulsou os jesuítas. Em Cundinamarca a rebelião foi liderada por Mariano Rodríguez e Pastor. Para segurar esta rebelião López chamou Melo. Os liberais de direita associaram-se aos conservadores e dominaram o Congresso, governações e localidades. Em 1854, depois de algumas peripécias, Melo chega a Presidente, empurrado pelas Sociedades Democráticas. Isto para segurar as investidas dos liberais de direita que pretendiam impor uma nova constituição que visava eliminar o exército nacional, dando maior poder aos Estados Federais, debilitando o presidente e abrindo caminho à liberdade de importações.

Em 1855 o Panamá transformou-se num Estado Federal, gerido por Justo Aresemena. A via férrea panamense foi incendiada em 1856, depois de conflitos entre norte-americanos e panamenses, por melancia. Morreram dois panamenses e dezasseis norte-americanos. A polícia de Istmo foi responsabilizada pelos Estados-Unidos que interveio militarmente. O Panamá teve de pagar uma compensação aos Estados-Unidos. Em 1862 o Panamá passou novamente para administração colombiana. Em 1874 os franceses tentaram construir um canal no Panamá. O projeto entrou em vigor em 1881 mas fracassou em 1889. Com a Guerra dos Mil-Dias, o Panamá tentou a sua independência. Em 1885 os Estados-Unidos ocuparam a cidade colombiana de Colón, no Panamá. O Chile, que tinha frota mais forte das Américas, enviou o cruzador Esmeralda para ocupar a cidade do Panamá. O comandante tinha de evitar a anexação por parte dos Estados-Unidos de qualquer maneira.

É neste momento que retorno ao início do post e a Roosevelt. Os franceses tinham parado as obras de construção do Canal. Roosevelt tinha interesse em que essas obras ficassem concluídas. Assinou o o Tratado de Hay-Herram com os colombianos mas o Senado Colombiano não o ratificou. Foi quando os Estados-Unidos apoiaram os movimentos separatistas do Panamá. José Domingo de Obaldía, filho de José de Obaldía, foi selecionado para ser governador do istmo do Panamá. Em novembro de 1903 os  Estados-Unidos reconhecem a independência do Panamá. A França também seguida por 15 países. Um mês depois da independência do Panamá foi assinado o Tratado Hay-Bunau-Varilla, por Philipe Bunau-Varilla e John Hay. Varilla era um francês que havia prestado assistência aos rebeldes separatistas. Hay um Secretário de Estado dos Estados-Unidos. No Tratado ficou definida a venda do Canal do Panamá e toda a zona à sua volta. Nenhum panamense esteve presente na assinatura do Tratado. O governo da Colômbia ainda enviou uma missão diplomática ao Panamá para tentar demovê-los, alegando o Tratado de Hay-Herran, mas o Hay já tinha assinado novo acordo mais conveniente. A Colômbia reconheceu a soberania do Panamá depois de ser indemnizada em 25 milhões de dólares (americanos) pelos Estados-Unidos e ter recebido um pedido de desculpas formal do Congresso norte-americano pela intervenção no conflito Panamá-Colômbia.

(em atualização durante os próximos 50 anos)

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